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sexta-feira, 6 de abril de 2012


Calvário: parte do caminho de todo cristão

Entrevistamos o Vigário da Custódia da Terra Santa, padre Artemio Victores, sobre a Via Dolorosa, seu significado e sua história dentro da tradição cristã.
'Monte das Oliveiras'
É importante, primeiramente, sabermos que a Via-Sacra é um caminho que se estende da Fortaleza Antônia até o Gólgota, ao longo do qual Jesus percorreu carregando Sua Cruz.
“O nome ‘Via-Sacra’ provém do ano 1600, porém a forma de retratar os passos de Jesus até o Calvário já era conhecido desde os primeiros séculos do Cristianismo”, contou frei Artemio.
Seguir o Mestre, no Calvário, é parte do caminho de todo cristão. Por isso, desde o princípio, havia um desejo de nos fazermos um com Ele.
Perguntamos ao frei sobre essa experiência de revivermos os momentos finais de Jesus, assim como fizeram os primeiros cristãos, aqueles que viveram com Ele. O sacerdote nos relata algo muito interessante a respeito da Virgem Maria:
“Segundo as antigas tradições, Maria não apenas permaneceu sozinha no Santo Sepulcro, antes da ressurreição, para estar presente com seu Filho, como também, logo depois, foi visitar os lugares onde Jesus sofreu Sua Paixão”.
Historicamente, a peregrina Egéria conta que, no seu tempo, os cristãos iam ao Monte das Oliveiras na Quinta-feira Santa. Eles passavam pela ascensão, desciam até o Getsêmani e, ali, liam os textos bíblicos para recordar a preparação da Paixão. Estes são os testemunhos históricos de como os cristãos queriam sempre seguir os passos do Senhor.
'Sexta-feira da Paixão na Terra Santa'
'Sexta-feira da Paixão na Terra Santa'
“Os antigos escritores diziam que os frades têm o Santo Sepulcro graças ao amor de São Francisco pela crucifixão e pelo Calvário, e diziam que se continuarmos amando Jesus dessa maneira, continuaremos tendo os lugares santos”, nos conta padre Artemio.
Desde o ano 1300, os franciscanos da Custódia da Terra Santa conduzem uma piedosa procissão, todas as sextas-feiras à tarde, às 15h, rezando a Via-Sacra, acompanhando os passos sofridos dados por Jesus à caminho de Sua execução no Calvário. O itinerário é composto por 14 estações, sendo que, da 10ª até a 14ª, os fiéis ficam dentro da Basílica do Santo Sepulcro.
“A Via Dolorosa nunca poderá perder o seu valor. Por quê? Porque é evangélico. Toda a vida cristã deve estar sempre baseada no seguimento de Jesus, que carrega a cruz. A Sua vida foi uma peregrinação que começou na Galileia, passou pelo Calvário, chegou à Ressurreição para, então, terminar na ascensão de volta à Casa Paterna”, afirma o frei.
É importante ressaltar que, no mesmo dia em que os cristãos realizam a Via-Sacra, os muçulmanos vão à mesquita rezar por esse dia sagrado. Com o por do sol, começa o Shabat, dia Santo dos judeus, por isso eles vão até o Muro das Lamentações. Nesse dia, de forma especial, podemos ver as três religiões monoteístas presentes em Jerusalém vivendo, cada uma, sua experiência própria com o sagrado.
É um momento fundamental de oração, afinal, essa é a finalidade de uma peregrinação a Jerusalém, porque aqui os fiéis vêm para rezar.
Padre Artemio encerra a entrevista falando sobre a expressão de fé já presente em todo o mundo, mas que nasceu aqui, na Cidade Santa:
“Essa devoção é realizada por milhares de peregrinos que, com profunda contrição, fazem esse percurso. Sem dúvida, um dos momentos mais memoráveis da visita à Terra Santa. Momento em que se colocam à disposição, assim como Simão de Cirene,  que, junto com o Senhor, carregou a cruz e com Ele meditou cada momento de Sua Paixão e ardente amor pela humanidade.”

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